Digital Thoughts

Tuesday, May 23, 2006

Coesão Europeia pela Modernização...

Construção do Espaço Europeu do Ensino Superior, este é o objectivo e a noção máxima que define o Processo de Bolonha. Mas aplicar este novo modelo de ensino, significa realizar várias alterações no sistema e no processo educativo vigente.
O processo de Bolonha propõem-se criar um espaço coeso, competitivo e atractivo de modo a promover a mobilidade e a empregabilidade para docentes, alunos e diplomados europeus e de países terceiros. Desde 1998, que vários países da Europa têm desenvolvido esforços neste sentido, tendo definido 2010, como a data limite para o estabelecimento desse espaço. O desafio é, como refere o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, criar um “espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e com maior coesão social”.
Em todos os países membros são necessárias reformas, de modo a modernizar e simplificar o sistema de ensino superior, tais como a implementação de um sistema de créditos curriculares, novo sistema de avaliação e qualificação, programas de mobilidade durante e após a formação, adopção de um sistema baseado essencialmente em dois ciclos (licenciatura e mestrado) …
É questionável se esta meta será atingida por todos os países membros, uma vez que se verificam níveis de desenvolvimento diferentes. As opiniões dividem-se, apesar de defenderem os mesmos objectivos, alguns críticos consideram que este processo tem sido mal conduzido. Um Professor da Universidade Aberta do Porto refere que se trata “de uma questão eminentemente económica” e acrescenta que “este processo é cada vez mais político”, questionando os verdadeiros benefícios de Bolonha para Portugal.
Este processo assenta em valores tais como capital humano, empregabilidade, cidadania, diversidade cultural e religiosa, liberdade e paz, reforçando os ideais da sociedade do século XXI, marcada pelo fenómeno da globalização.
O processo de Bolonha visa que os cidadãos criem gosto pelo saber e pelo conhecimento, para que se promova o intercâmbio cultural, mas sobretudo, a coesão europeia, tendo seleccionado como veículo a reestruturação da formação.

Wednesday, April 12, 2006

A Internet é Democrática?

Como habitantes do mundo ocidental, do século XXI, não imaginamos as nossas vidas sem as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação e tendemos a esquecer as disparidades que existem no mundo. Diariamente somos bombardeados por uma quantidade infindável de informação sobre tudo o que diz respeito ao mundo, sem que essa informação seja necessariamente requisitada por nós. Não podemos fugir da era da informação, mas será que esta atinge todos os habitantes do planeta? A resposta é muito óbvia e sem que seja necessário apontar todas as desvantagens da Internet, basta nomear uma para concluirmos que a população atingida pela Internet é inferior à excluída por esta realidade.
A Info-exclusão põe em causa o papel democrático da Internet. Apesar de ser possível identificar duas dimensões neste problema, a consequência é a mesma. Os que não têm acesso ao fluxo de informação diária proporcionada pela Internet, estão desprovidos de uma série de conhecimentos e são alvo de uma certa discriminação e divisão criada pela mesma. Por outro lado, os que têm acesso às novas TIC e a todo o tipo de informação, e apesar de terem o poder de feed-back, são alvo de muita informação enganosa e infundada, criando opiniões erradas.
A comunicação é um dos Direito Humanos Fundamentais mais reivindicados nos últimos tempos, que foi relembrado por Koffi Annan, Secretário-geral das Nações Unidas, a 17 de Maio de 2003, no Dia Mundial das Telecomunicações, alertando a Comunidade Internacional para a situação dos que não gozam deste direito. Mas para criar uma Internet multilateral, democrática e transparente, é necessário ultrapassar uma séria de barreiras. Existem diferenças relativamente à percepção da democracia, consoante as várias culturas e nem todos temos a mesma noção da necessidade, ou dos benefícios, da globalização e do multilateralismo. Como referiu o secretário de logística e tecnologia da informação do Mistério do Planeamento do Brasil, Rogério Santanna, existem cerca de 12 servidores raízes actualmente responsáveis por todo o trânsito de informações na rede, dos quais 9 estão em território norte-americano. Salienta ainda que “é necessário buscar um maior equilíbrio geográfico".
Perante os desequilíbrios a nível social, como cultural, político e económico, proporcionados pela Internet ou reforçados por esta, podemos concluir que é necessário reunir esforços ao nível da Comunidade Internacional, para conduzir a Internet no seu longo caminho de democratização.

Tuesday, March 21, 2006

Novamente no Top dos Fracassos...ou talvez não!

Pertencer à Sociedade da Informação é hoje um imperativo para qualquer país, apesar do seu nível de desenvolvimento. Independentemente de se tratar de um acto voluntário ou não, as tecnologias passam a fazer parte das nossas vidas a todos os níveis. Pergunto-me então se Portugal está preparado para abraçar esta sociedade, ou se mais uma vez irá ocupar o seu lugar no top dos fracassos dos habituais rankings mundiais, que nos fazem parecer como um país do Terceiro Mundo.
Perante uma crise financeira que parece que veio para ficar por muito tempo, o desemprego crescente, o progressivo envelhecimento da população e para não falar da taxa de analfabetismo que ainda se verifica em Portugal, não podemos esperar competir com as grandes potências e alcançar resultados brilhantes. A solução não é desistir do nosso país e de tentar acompanhar a evolução do mundo, mas Portugal tem um ritmo próprio que não pode ser deixado de se ter em conta. Sobretudo quando se trata do universo da tecnologia e do conhecimento que está em permanente mudança e evolução.
Portugal está sempre pronto a embarcar nos grandes projectos europeus e até mesmo mundiais e de facto já demos provas de que somos uma sociedade versátil que se adapta de forma rápida ao Novo. O que contrasta com os valores tradicionalistas e conservadores que caracterizam a maioria da população portuguesa, em que nem os jovens são excepção. Mas como ser conservador, não significa ser retrógrada, é inegável que Portugal tem desenvolvido esforços para acompanhar a revolução digital. Portugal foi um dos primeiros países da Europa a introduzir a Internet em todas as escolas e a criar a “Rede Ciência Tecnologia e Sociedade”, uma rede global que une universidades, bibliotecas, laboratórios, escolas, associações… Mas não basta possuir os meios físicos, isto é, as tecnologias, se não se passar anteriormente por um processo educativo da população para as utilizar e conhecer as tendências da nova sociedade. Para este efeito, o Estado Português proporciona o acesso público e gratuito à Internet em vários espaços públicos, com técnicos especializados nessa área, inclusive para doentes físicos e psíquicos, e desenvolveu um plano de financiamento de equipamentos digitais para os estudantes. A invenção da Via Verde é mais um dos exemplos de mérito para o nosso país, que prova que possuímos grandes profissionais e que temos um alto potencial para o sucesso. Mas a vontade não é suficiente para que esses projectos levados a cabo tenham sucesso no nosso país e, muitas vezes, que sequer se consigam concretizar.
Na sequência da Cimeira Mundial da Sociedade da Informação, que decorreu na Tunísia, a 17 de Novembro de 2005, onde José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior em Portugal afirmou “Queremos Ligar Portugal, reforçar uma sociedade em rede, quebrar barreiras, inovar, reduzir burocracia e promover avaliação e transparência. Mas queremos sobretudo Ligar Portugal a todas as outras nações e a todos os povos do Mundo”, é bem visível o desejo de Portugal em contribuir para o desenvolvimento da sociedade da informação promovendo a liberdade de expressão e combater a exclusão. Mas é necessário resolver primeiro todos os problemas que impedem o desenvolvimento interno da nossa sociedade, para que depois se possam pensar em seguir os projectos da Europa e consequentemente mundiais.

Friday, February 24, 2006

Marketing: consumo personalizado ou camuflado?

Mudança tornou-se a palavra de ordem dos últimos anos, numa sociedade que vive num ritmo frenético e no dilema constante do stress e o lazer. A capacidade de inovar surge como resposta às necessidades dos cidadãos do século XXI, que mergulham no consumo.
Num mundo extremamente competitivo em que se vive numa total entrega ao trabalho, assiste-se à crescente necessidade de encontrar um escape ao projecto constante da auto-realização. Julgamos encontrar no consumo, o espelho do que somos, sentindo-nos controladores das nossas opções. Associamos o consumo à mudança, na perspectiva dos ciclos de vida curtos do mercado, que acompanham a inovação. Desta forma satisfazemos os nossos desejos mais fúteis, em contraste com os altos objectivos do mundo profissional.
Acreditamos que cada passo é ditado segundo as nossas vontades, sem nos darmos conta que existe uma indústria destinada ao estudo dos nossos comportamentos, o Marketing e a Publicidade. Vistos como consumidores, somos o alvo das empresas que criam produtos à nossa imagem e que nos oferecem um mercado estrategicamente organizado e estereotipado, camuflado pelo favorecimento da tendência da personalização. Isto é, através da possibilidade de darmos o nosso contributo para o produto final, fazem-nos sentir especiais e diferentes uns dos outros, embora esse contributo esteja limitado a um leque de opções previamente seleccionado e definido pelas empresas.
A MasterCard é um exemplo das empresas que exploram as tendências sociais. Recentemente lançaram um sistema de design que permite personalizar as faces dos cartões MasterCard ou Maestro com uma fotografia à escolha do portador, com os logótipos das empresas, com cheiro, metálicos, translúcidos… Esta nova proposta surge na óptica da actual tendência de personalização do consumo, oferecendo aos consumidores a possibilidade de reflectirem a sua própria personalidade e estilo de vida nos cartões. O estudos de mercado realizados pela MasterCard apontam para o grande potencial deste negócio, uma vez que exploram o dilema da abundância versus diversidade, em que perante a existência de vários bancos, as pessoas optam pelo que permitir marcar a diferença, isto é, pelo que oferecer um produto escasso que se destaque dos outros. Exploram também a dimensão da interactividade, na perspectiva da personalização, passando o poder de escolha para o consumidor.
Um exemplo de empresa exploradora da dimensão do prazer é a Compal, que para reposicionar a sua marca no mercado, optou pelo novo conceito “Compal Clássico. Sabor Saudável”. Perante as novas necessidades do mercado, em que os consumidores apresentam uma baixa tolerância ao sacrifício e à carência de prazer, a Compal decidiu assentar no binómio sabor/saúde, duas características consideradas indispensáveis nos produtos de hoje. Esta transformação da estratégia de marketing da marca passa também pelo rejuvenescimento da mesma, apesar de se direccionar a várias faixas etárias. Deste modo, explorando também, a dimensão do pós-figurativismo, a Compal pretende adaptar os valores do passado da marca, aos novos conceitos da juventude. A campanha assenta em situações em que pessoas com estilos de vida saudáveis e personalidades fortes procuram saborear o seu Compal Clássico, em momentos únicos de comunhão com a natureza.

Thursday, February 09, 2006

SIC, todos a conhecem mas poucos a sabem explicar!

Nos dias de hoje é impossível negar que as Tecnologias da Informação e Comunicação dominam as nossas vidas. O seu impacto é de tal forma significativo que assistimos à ascensão progressiva da Sociedade da Informação. A questão é que esta nova Era Digital se foi impondo nos nossos hábitos diários sem nos apercebermos das verdadeiras mudanças e consequências desses novos comportamentos. Como cidadãos do século XXI, conhecemos e pertencemos à SIC, mas são poucas as pessoas que sabem a verdadeira dimensão do digital.
Sendo uma potencial profissional da Comunicação Digital e Interactiva, espero que a disciplina de Sociologia da Cultura dos Meios Digitais e Interactivos me ajude a compreender quais são os verdadeiros impactos sociais da Revolução Digital, uma vez que as tecnologias se tornaram indissociáveis do dia-a-dia de cada um de nós, influenciando várias dimensões da vida pessoal e colectiva. Para além das mudanças do Mundo, espero descobrir as implicações das mesmas na estrutura das sociedades, isto é, na cultura das famílias, do trabalho, da cidadania, nas relações com os outros e em tudo o que envolve os comportamentos dos cidadãos da SIC. Desta forma, impõem-se também novos valores que entram em conflicto com os valores pré-estabelecidos pela sociedade. Ter consciência dessa ruptura com os estereótipos é outra expectativa que gostaria de desenvolver.